quarta-feira, 13 de agosto de 2014

Cartas ao anônimo( continuação )

   Bom, para começar estou pensando em fazer uma resenha de Dezesseis Luas, já que estou completamente apaixonada por este livro. Eu e a Gabi também estamos tentando administrar melhor o blog, eu achei algumas designers que fazem desenhos lindos e muito fofos, acho que ao menos a minha preferida foi a Malipi, então estou pensando em encomendar um layout dela. Vou fazer outro post para os desenhos das designers que eu e a Gabi gostamos, para não ficarmos sem nenhum post durante muito tempo. Vocês também podem nos seguir no Twiter e no Instagram (sim, agora temos Twiter e Insta). 


                 ...Cartas ao anônimo (parte 2)

  Ao decorrer da tarde, fiquei deitada embaixo daquela árvore que me fez companhia o verão todo, se tornando para mim, uma amiga que eu nunca tive. Na época que eu ainda frequentava minha antiga escola, sempre fui muito quieta, a "esquisita" da turma com uma família completamente louca, enquanto as pessoas julgadas "normais" escutavam bandas de gente normal, eu escutava Smithis, Samples, David Bowie, Beatles, e muitas outras bandas consideradas "caretas" por aquele bando de gente "normal". Não era exatamente esse o ponto que estou querendo dizer. Ou melhor escrever.
  É o fato do mundo estar completamente lotado de pessoas vazias, com olhos que são feitos para enxergar além dos horizontes, não enxergam além do próprio nariz. Que não acreditam no simples, no entanto grande ato de pintar uma rosa de preto, mas não fariam isso para torná-la ainda mais especial, e sim porque não enxergariam a verdadeira beleza da rosa.
  Ultimamente, tenho me dedicado a ver tudo como se fosse a última vez a cada dia, ouvi o canto dos pássaros, e todo aquele verde, e devo ter pensado que talvez o mundo não seria um lugar tão ruim. Estava deitada naquela rede, cercada de lembranças, como de quando eu era menor e costumava imaginar que as nuvens seriam feitas de algodão e a lua de queijo, apesar de eu odiar queijo. Minha mãe cantava Carneirinho de Mary, e me dizia que tudo ficaria bem no fim, mesmo sabendo que era mentira, ela estava morrendo.
  Nunca me esquecerei de quando meu pai saiu tarde da noite, e disse que me amava e iria sair para comprar cigarros, eu sabia que tinha algo errado, afinal ele nunca disse que me amava. Ele saiu, e nunca mais voltou, na madrugada mais fria e cinzenta, o céu não tinha estrelas, mal dava para ver a lua, e ele, ele desapareceu e nunca mais voltou. Esperei durante anos ele entrar novamente por aquela porta, carregando um maço de cigarros.
  Pouco antes de eu conseguir voltar ao meu estado aparentemente normal de loucura,um pássaro azul, com penas longas e um bico laranja pousou em um galho acima da minha cabeça, o que me fez lembrar de um dia quando eu tinha uns sete anos, e um desses sobrevoou perto da janela do carro, e eu estava a caminho do hospital, indo visitar a minha mãe que, pelo que me lembro, estava tendo convulsões que me deixavam assustada.
  Então olhei para meu pai pelo retrovisor com meus grandes olhos azuis, que por sinal mamãe dizia que pareciam rubis, então, eu disse "Olhe papai! Um Twiter" E então ele riu, foi uma risada profunda, como aquelas que surgem nas horas menos esperadas, eu não entendi o porque na época, ele não riu porque achou graça, riu de como era possível tanta ingenuidade e pureza em uma pequena criaturinha que ele jamais achou que existiria, e que o chamaria de "Papai".
  O "Twiter" planou em direção ao lago, pouco a frente da minha árvore, então ele se foi, e só me restaram lembranças do que costumava ser.
  Música, preciso ouvir música. Peguei meus fones e coloquei uma playlist qualquer, coincidentemente a primeira música que tocou foi uma que não escuto desde os seis anos, outra das que minha mãe ouvia e cantava para mim.
  Lembranças e mais lembranças, quero esquecer tudo, quero que o mundo todo se dane, lembranças idiotas.








XOXO- Carol