domingo, 30 de novembro de 2014

Projeto Blogagem Literária Coletiva #3

As origens de um clássico BLC#3

Esse post faz parte do Projeto Blogagem Literária Coletiva, promovido pelos Blogs Chá & Livros, Os Literatos e Diário de uma Livromaníaca.

"É de consenso geral que Drácula de Bram Stoker é um clássico da

literatura mundial sendo o pai das histórias vampirescas. Stoker criou a sua maior obra na Era Vitoriana, uma época inigualável e que todas as suas características são muito bem retratadas no decorrer da história.



Dia 08 de novembro é celebrado o aniversário desse célebre autor, então para homenageá-lo vocês serão historiadores por um mês e deverão contar as origens desse clássico, o que levou Bram Stoker a escrever o romance que marcaria uma época cativando leitores até os dias atuais!


Mas atenção, será permitido usar referenciais históricos, porém a principal fonte de consulta deverá ser a imaginação de vocês.

Missão dada, agora mãos à obra e vamos explorar as catacumbas de um
certo castelo na Transilvânia!"




 Havia acabado de dar meia noite. O relógio dava sua primeira badalada, o que fez ecoar por todo o palácio.
 Estava tarde, já não se ouvia mais nada além do tic-tac do relógio.  Não havia o canto da coruja, nem o barulho de passos, ou mesmo o da máquina de escrever. O clima nublado estava contribuindo para o clima mórbido ali instalado. 
 Esse foi o dia em que morri, deixei a minha vida de luxo e alcancei a vida eterna, não do modo que esperava, me tornando esse monstro devorador de almas.
 Tudo começou na madrugada em que dormi com uma prostituta, da qual declarou seu amor para mim, e disse que me daria seu coração.  Expulsei a vagabunda de meus aposentos, para só mais tarde descobrir que ela era uma espécie de macumbeira extremamente vingativa. E, para dar o troco, me transformou no abominável Drácula. Me condenou a viver relembrando de cada vida que tirei, inclusive da minha própria família. 
  A primeira alma que tirei gota por gota de sangue, foi a empregada gorda que limpava os corredores do palácio. Não vou dizer que me arrependi de ter feito aquilo, mas a pobre mulher mal sabia o que estava fazendo quando deu de cara comigo, e eu logo avancei em seu pescoço.
 Depois veio o jardineiro, mal tinha me recuperado da vítima anterior, já estava sedento por mais sangue. E então foi-se o carteiro, trazendo o jornal da manhã. Por fim usei o pensamento lógico de pendurar o homem para seu sangue escorrer e eu me servir mais tarde, sem ter o trabalho de capturar mais um desavisado.
     Minha mente falava para eu parar de matar gente inocente, mas meu corpo implorava por mais sangue, meu instinto era maior, eu simplesmente necessitava disso. Eu temia que isso ficasse fora do controle, por isso tentava me esconder o máximo possível de lugares onde havia muita gente. Mas, é claro, não poderia deixar de  me alimentar de sangue humano, se não eu morreria.
  Muitos me consideram um assassino, até mesmo louco, psicopata. Posso ter matado muita gente, mas apenas por sobrevivência, pois se não fosse aquela prostituta macumbeira, não seria o que sou hoje. 
   Voltando a falar sobre algumas de minhas vítimas. Uma delas em especial, me recordo até hoje. Foi um escritor solitário que me pegou desprevenido, parecia que tinha comido uma plantação inteira de alho. Ele bateu em minha porta durante a noite, e perguntou se o Drácula morava em minha casa. Claro que não contei minha identidade de imediato para aquele desconhecido que poderia muito bem se tornar minha próxima refeição.
  Convidei-o para entrar e se sentar um pouco, já imaginando como seria bom o gosto de seu sangue tocando em meus lábios. Mas por incrível que pareca, ficamos conversando, o que é uma coisa muito estranha para mim, pois além de não ter o costume, não gosto das pessoas. Achei engraçado e ao mesmo tempo interessante o fato de ele estar tão curioso sobre mim, por isso a conversa durou um bom tempo. Depois que respondi a todas as suas perguntas, resolvi que não iria matá-lo, ele parecia ser uma boa pessoa, e se interessava muito por minha história. 
   Acho que ele talvez tenha percebido quem realmente sou, mas isso não importa mais, porque agora estou em um lugar bem distante de tudo e de todos. Eu até falaria para você, leitor, onde me encontro, mas se falasse, não se tornaria mais um mistério. Portanto se um dia você me encontrar, saberá minha verdadeira identidade.
   Acho que acabo de terminar minha história, espero não té-lo desapontado se não foi isso que imaginou. 

XOXO - Equipe Litera